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História de Santa Maria de Óbidos
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Santa Maria, freguesia do concelho de Óbidos, ocupa uma área de 22,13 quilómetros quadrados e inclui as povoações, do Arelho, do Bairro da Senhora da Luz, do Carregal e de Trás do Outeiro, bem como parte de A-da-Gorda e do Pinhal, tendo como freguesias limítrofes São Pedro, Vau, Sobral da Lagoa, Amoreira, Gaeiras (concelho de Óbidos), Roliça (concelho de Bombarral), Nadadouro e Santo Onofre (concelho de Caldas da Rainha).
A freguesia de Santa Maria de Óbidos é a mais antiga das duas freguesias que formam a vila.Os seus formosos templos e monumentos, com as igrejas de Santa Maria e da Misericórdia, o pelourinho e o castelo, as suas ruas tortuosas, o casario branco, os pórticos, as arcadas e as fachadas constituem como que uma jóia monumental.
Acredita-se que a primitiva ocupação humana da região remonte à pré-história. Pela sua proximidade da costa atlântica, esta região despertou o interesse de povos invasores da península Ibérica, tendo sido sucessivamente ocupado por Lusitanos (século IV a.C.), Romanos (século I), Visigodos (séculos V a VI) e Muçulmanos (século VIII).
O topónimo Óbidos advém de oppidum que significava castro lusitano-romano, local de grande importância para a população local, em épocas antigas.
Apesar de não se saber a data exacta da formação desta freguesia, pensa-se que esta é a mais antiga do concelho.
Sabe-se que, aquando da reconquista de Óbidos aos Muçulmanos, D. Afonso Henriques estava acompanhado por S. Teotónio, prior de Santa Cruz de Coimbra e, consequentemente, de Santa Maria de Óbidos, a quem demonstrou a vontade de não deixar Óbidos sem antes purificar a mesquita. Esta acção justifica-se, de acordo com o Professor Carlos Orlando Rodrigues, pelo facto de, no século XII, os conceitos de Deus e da Pátria se identificarem.
Depois da diocese de Lisboa ter sido restaurada, no ano de 1147, no seguimento da conquista de Santarém e de Lisboa aos Mouros, foi nomeado como primeiro bispo o inglês Gilbert of Hastings. A partir de então e até aos finais do século XIII, o clero estabeleceu uma estrutura eclesiástica articulada em três níveis: diocese, arcediago e/ou arcipreste, paróquias e freguesias. Assim, D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, fundou a Igreja dedicada a Nossa Senhora da Assunção que, embora tenha sido o primeiro templo da localidade, foi o que englobou o maior número de fregueses, dentro da vila e nos arrabaldes. O facto de Santa Maria possuir muitas outras Igrejas permitiu-lhe deter superioridade relativamente às outras paróquias de Óbidos.
Em 1441, no reinado de D. Duarte, a Igreja Paroquial de Santa Maria foi o local escolhido pelo monarca para celebrar o casamento do seu filho D. Afonso com D. Isabel, filha do Infante D. Pedro.
A 20 de Agosto de 1513, D. Manuel II concedeu foral a Óbidos e, na Praça de Santa Maria, ergueu-se um dos símbolos da autonomia judicial do concelho: o Pelourinho.
Nos finais do século XVIII, mais especificamente em 1792, Santa Maria foi, novamente, palco de um acontecimento real, visto que ocorreu, na Igreja Paroquial, o baptizado da princesa D. Maria Leopoldina, futura arqui-duquesa de Áustria.
Uma das figuras ilustres da freguesia de Santa Maria foi o Padre António José d’ Almeida que faleceu no dia 16 de Abril de 1928.
Esta figura da terra distingiu-se pelo seu espírito liberal, pela sua bela voz de barítono, assim como por ter sido um bom catequista, um crente piedoso, um homem de sociedade e um grande amigo dos mais necessitados.
O padre António foi capelão do Santuário do Senhor da Pedra e um orador eloquente, tendo sido, durante quarenta e sete anos, o orador do Evangelho da festa de Nossa Senhora da Graça.
Este bom homem era conhecido em Portugal e na vizinha Espanha, tendo sido tratado como membro da família nas casas nobres de todo o país, logo mantinha excelentes relações com a aristocracia portuguesa. Também na Corte, o Padre António era bem recebido, nomeadamente pelo rei D. Carlos, que era seu amigo íntimo. O monarca gostava de passear com ele e não dispensava a sua presença nos serões que passava nas Caldas da Rainha, durante o Verão, ou nas caçadas e pescarias na Lagoa de Óbidos.
O Padre António encontra-se sepultado em Óbidos, no jazigo de Frederico Pinto Basto, das Gaeiras, um dos seus grandes amigos.
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